Résumé
O egípcio antigo enquanto conceito de indivíduo se constrói por meio de um diálogo entre o pesquisador e a ínfima documentação que sobreviveu ao tempo. Esse diálogo produz objetos de estudo, constatações e conclusões que constituem um discurso que “coloniza”, pela subjetividade do olhar moderno, o pensar no Egito antigo. Este capítulo se propõe a expor algumas das grandes linhas dessa colonização do pensar, traduzindo e examinando em português vários trechos de publicações originalmente em inglês ou francês, assim como duas passagens de composições antigas que instigaram a reflexão sobre a cientificidade (o Livro da Vaca Celeste) e a filosofia (o Documento de teologia menfita ou a Pedra de Chabaka). Por fim, ressalta-se o impacto político do discurso egiptológico fundado em teorias evolucionistas, que não reconhecendo o pensamento abstrato, despossui o egípcio antigo de capacidades fisiológicas, e o desumaniza.